Archive | Abril 2014

Quando o passado e o futuro se encontram…

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Quando o passado e o futuro se encontram…

 Recentemente, encontrei uma grande amiga minha do Curso de Formação para Magistério. Havíamos perdido contato desde o início de 1993, um tempo em que a internet ainda não existia no Brasil e ainda nos comunicávamos por cartas,telegramas e telefonemas.

Fiquei muito feliz em reencontrá-la!

Éramos três amigas, três fiéis mosqueteiras que, no auge de nossa juventude, prometemos umas às outras não perdermos contato jamais!

Uma delas, a Paula,  eu reencontrei há cerca de 6 anos e foi uma grande alegria! Desde então, procurávamos, juntas, pela nossa outra amiga. Na verdade, foi a  Paula quem reencontrou a Ana Carla através das redes sociais.

Uma das grandes vantagens da internet: aproximar quem está longe, embora, em minha opinião, afaste quem está perto, pois preferimos enviar mensagens ou deixar recados em murais em vez de visitar um amigo ou, até mesmo, telefonar. Debates tecnológicos à parte, o fato é que nos achamos!

Motivada pela alegria desta descoberta, procurei fotos, antigos cadernos, telegramas, lembranças daquele tempo bom da juventude.

Achei uma foto de nossa formatura. Sentadas, uma ao lado da outra, sorrisos quase infantis, olhos cheios de sonhos, corações ainda em branco, ávidos por viver emoções e encarar, de fato, a vida adulta.

O álbum de formatura registra a data: 29 de Dezembro de 1989.

Fui a oradora da turma. Em um discurso inflamado e apaixonado, defendi o exercício e a importância do magistério no novo contexto político em que vivíamos e agradeci aos nossos pais e mestres pelo empenho e apoio, em todos os momentos. O que esperar de uma jovem  de apenas 17 recém completos ( 16 dias antes da formatura ), além de amor, paixão, ideais e ideias em ebulição e efervescência, numa grande profusão de sentimentos?

Eu havia votado pela primeira vez naquele ano.

Fiz questão de tirar meu título de eleitor e votar, pois “afinal, uma outra ditadura poderia estar a caminho e eu poderia perder minha única chance de votar”.

Estreei como eleitora  em grande estilo, votando para presidente . Apesar de meu candidato sair derrotado do sufrágio eleitoral, exerci minha cidadania, orgulhosa de minhas convicções e ideologias.

O país, pela primeira vez em duas décadas, respirava o ar da “suposta” democracia (talvez mais  demagógica do que nunca , mas à época não sabíamos disto)  e comigo não era diferente!

Com o mercado de trabalho, faculdade e a vida adulta acenando para nós, estávamos encantadas  com o futuro!

Dominada pelas lembranças destes momentos, percebi então, pela primeira vez, que a data de 29 de Dezembro era e é uma ilustre conhecida minha, de outros momentos marcantes e igualmente inesquecíveis, mas não tão felizes e alegres como aquele dia da formatura.

Nove anos mais tarde, em 1998, naquele mesmo dia 29, nasceria meu primeiro filho. O que era para ser uma alegria transformou-se em pesadelo: meu menino nasceu prematuro, foi para a UTI e entrou em coma, no dia 31 de dezembro do mesmo ano. Graças à Misericórdia Divina , se recuperou e cresceu forte e saudável.

Foi exatamente em um dia 29 de Dezembro também que,  dezessete anos depois da formatura, recebemos o diagnóstico de autismo de meu filho caçula. Dor, sofrimento e desespero novamente me encontravam na mesma data , como se o destino quisesse brincar comigo, me lembrando a todo instante que a felicidade é efêmera e composta APENAS e tão somente de pequenos momentos e NUNCA duradoura…

E se a Denise de hoje, com  41 anos, pudesse voltar no tempo e encontrar a jovem Denise de apenas 17 anos? O que eu diria a ela?

Contaria a ela tudo o que a esperava pela frente? Seria eu capaz de jogar seus sonhos por terra, empobrecendo seus arroubos juvenis e roubando o brilho apaixonado de seus olhos?

Diria à Denise,  de outrora , o quanto sofro, muitas vezes calada, com medo do futuro, por causa do autismo de meu filho caçula?

Dividiria com ela a dor de ver a rejeição, a incompreensão das pessoas, o descaso da sociedade, a inclusão que acontece à “fórceps”?

Pediria a ela que me emprestasse seu ombro amigo, para que pudesse descansar meu corpo cansado das lutas e onde eu pudesse chorar, apenas chorar, para aliviar meu coração?

NÃO!!!

Contaria a ela o quão feliz ela seria, pois apesar de TODAS as dificuldades, eu diria a ela o quanto me orgulho do ser humano íntegro e sensível que ela se tornou. O quanto eu me orgulho de suas conquistas e de suas derrotas, de sua trajetórias e de seu caminhar.

Contaria a ela sobre o marido maravilhoso e companheiro  que seu namorado (de apenas 1 mês) se tornaria! Sobre os dois filhos ABENÇOADOS que Deus lhe confiaria! Sobre a perfeição que ela iria encontrar na IMPERFEIÇÃO…

Por fim, abraçar-lhe-ia , com todo o meu amor e lhe diria: “Apenas siga em frente e faça tudo de novo, do mesmo jeito, sem mudar uma única linha. Saiba aproveitar cada momento, por mais singelo que ele lhe pareça, porque  a felicidade é feita de momentos… E eu estou aqui, aproveitando cada MOMENTO mágico que Deus me proporciona!”

E você?

O que você diria a você mesmo, mais jovem, se isto fosse possível?

ÚLTIMA NOTA EXPLICATIVA DO MUNDO AZUL

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    1. ÚLTIMA NOTA EXPLICATIVA

      O MUNDO AZUL, se sente na OBRIGAÇÃO de divulgar os resultados do estudo que fez, pautado na ética e transparência que esse processo de alteração de política pública de saúde deve ter.
      Nossa posição não é pessoal, partidária, financeira ou motivada por qualquer outro tipo de interesse, mas sim alicerçada em dados disponíveis em ambiente público que sinaliza falta de médico… especialista para tratar pessoas com autismo em muitas capitais e no interior dos Estados (vide o estudo anexo a carta aberta).
      Reiteramos que entendemos que o atendimento dispensado aos autistas nos CAPS e CAPSi não são adequados e que precisam melhorar muito (vide nosso estudo).
      NÃO estamos recomendando a ninguém ir se tratar nos CAPS e CAPSi, o que ressaltamos é a falta de médico especialista para tratar das pessoas com autismo em todo Brasil e provamos isso e recomendamos um outro caminho para que famílias não fiquem sem ter local para tratar seus filhos autistas.
      Em publicações anteriores, recomendamos um grande debate a respeito de saúde pública em nossa fanpage, justamente para que se possa tomar decisões com base em estudos e em estatísticas confiáveis.
      Se nosso estudo contrariou opiniões consolidadas, atingiu o seu objetivo, que era justamente o de fazer a comunidade autista do Brasil pensar e refletir sobre o tema.

      Aguardamos ainda uma posição que nos convença que famílias no Brasil não serão prejudicadas se os CAPS e CAPSi não atenderem mais pessoas com autismo, sem antes ter aprovado uma POLÍTICA NACIONAL DE SAÚDE PÚBLICA PARA TRATAMENTO DE PESSOAS COM TEA.

      Fica a pergunta: Quem fez pesquisa para saber quantas pessoas são atendidas nos CAPS e CAPSi por todo Brasil? Onde essas pessoas irão tratar seus filhos?

    Você acredita  que o Brasil vai construir os Centros de Tratamento para nossos filhos em todo território Nacional em 1 ano?

    Feito, quem vai tratar?

    O Mundo Azul esta lutando aqui no Rio de Janeiro para criação dos Centros de Tratamento e esta muito difícil, o Governo não consegue fazer  a sua parte pela dificuldade política e tem em sua realidade a falta de verbas, profissionais na área de saúde e Educação sem especialização .

    O trabalho é a longo prazo .

    Para  mudar esta realidade temos que trabalhar muito e com os pés no chão ,entendendo que neste pais não se muda de um dia para o outro.

    São Muitas perguntas  a serem respondidas e debatidas?

    E mais,

    Qual o motivo de NÃO se fazer a CAPACITAÇÃO DOS CAPS E CAPSi e tornar os mais de 1.540 pontos de atendimento que já existem e dotados de verba pública do SUS em locais de tratamento adequado para os autistas e também de haver mobilização para a criação de uma POLÍTICA NACIONAL DE SAÚDE PÚBLICA PARA ATENDIMENTO DAS PESSOAS COM AUTISMO?

    Por fim, em uma democracia, devemos viver e conviver com as mais diversas opiniões e aprender a debater em um ambiente saudável, equilibrado e justo.

    Mundo Azul Grupo de Pais

CARTA ABERTA À COMUNIDADE AUTISTA NO BRASIL

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PLANILHA DA SAÚDE PARA ESTUDOS DE ATENDIMENTO MÉDICO – AUTISMO NO BRASIL(1)

 

CARTA ABERTA À COMUNIDADE AUTISTA NO BRASIL

O GRUPO DE PAIS MUNDO AZUL, sediado no estado do Rio de Janeiro, atento a campanha nas redes sociais contra a  alínea “C” do art. 3° da Minuta do Decreto Regulamentador da Lei 12.764/2012 confeccionada pelo CONADE, ao cumprir seu papel institucional de informar e conscientizar a sociedade a respeito do AUTISMO, entendeu, antes de manifestar-se publicamente a respeito da alínea “C” alhures, fazer estudo a respeito da demografia médica no Brasil, alicerçado em fontes oficiais e disponíveis em ambiente público.

Após análise criteriosa desses dados, chegamos a uma conclusão que muito nos preocupou!

Caso esse movimento das redes sociais seja acatado pelo poder público, MUITOS AUTISTAS DE VÁRIOS ESTADOS BRASILEIROS FICARÃO SEM QUALQUER TIPO DE TRATAMENTO, AINDA QUE MÍNIMO.

Comungamos da mesma opinião que os CAPS E CAPSi,  no modelo atual, não atendem adequadamente aos autistas. Contudo, após conclusão desse estudo, entendemos que será mais responsável de nossa parte EXIGIR O SEGUINTE:

a) Capacitação dos profissionais dos CAPS e CAPSi  para trabalhar com pessoas com autismo, adequação de suas instalações físicas e  alteração na metodologia de tratamento das pessoas com TEA e aumento do efetivo de forma  IMEDIATA;

b)Desenvolver e  Implantar  uma POLÍTICA NACIONAL DE SAÚDE  PÚBLICA PARA TRATAMENTO DE PESSOAS COM AUTISMO, onde serão incluídos planos e metas para criação de centros especializados, capacitação de profissionais médicos e não médicos da área de saúde, incentivo à  profissionais trabalharem no interior da unidades federativas, etc.

Em anexo segue o estudo para conhecimento e reflexão de todos.

Por estar em formato pdf, basta aumentar a fonte para 280 ou 300 que é de fácil visualização.

Sem mais,

 

Rio de Janeiro, 27 de abril de 2014.

 

 

                              GRUPO DE PAIS MUNDO AZUL              

 

 

 

                          

Menino com autismo vira contador de histórias em escola de Itanhaém, SP

 

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21/04/2014 07h24 – Atualizado em 21/04/2014 07h33

Menino com autismo vira contador de histórias em escola de Itanhaém, SP

Diego Escada foi diagnosticado com o transtorno aos três anos de idade.
Na escola, ele acompanha a turma, faz desenhos e conta histórias.

Mariane RossiDo G1 Santos

Diego mostra os desenhos que utiliza para contar histórias para a classe  (Foto: Mariane Rossi/G1)Diego mostra os desenhos que utiliza para contar histórias para a classe (Foto: Mariane Rossi/G1)

Um menino autista de 10 anos virou o contador de histórias de sua classe em uma escola municipal de Itanhaém, no litoral de São Paulo. Diego Escada Louzada apresentou, desde pequeno, as características do transtorno, mas a convivência com outras pessoas na escola lhe trouxe mais conhecimento do mundo e de si. O jeito inibido, característico do autismo, é pouco perceptível em Diego enquanto ele brinca de contar histórias para a turma e é aplaudido pelas outras crianças. O que poderia ser considerado um desafio para qualquer autista, é um prazer para ele.

Tatiana, mãe de Diego, durante uma visita a escola do menino (Foto: Mariane Rossi/G1)Tatiana, mãe de Diego, durante uma visita a
escola do menino (Foto: Mariane Rossi/G1)
Laudo médico atestando que Diego tem autismo (Foto: Divulgação/Prefeitura de Itanhaém)Laudo médico atestando que Diego tem autismo
(Foto: Divulgação/Prefeitura de Itanhaém)

Tatiana Escada descobriu que o filho tinha autismo quando o menino estava com três anos. Ela começou a notar algumas atitudes estranhas do filho. “Ele apontava as coisas, não falava o que queria, tinha resistência à dor. Com um barulho muito estridente, ele colocava as mãos nos ouvidos. A gente foi reunindo os fatos e fomos a um neurologista”, conta ela.

Segundo o Ministério da Saúde, o autismo é considerado uma síndrome neuropsiquiátrica. Embora seja uma etiologia específica que não tenha sido identificada, estudos sugerem a presença de alguns fatores genéticos e neurobiológicos que podem estar associados ao autismo. Diversos sinais e sintomas podem estar ou não presentes, mas as características de isolamento e imutabilidade de condutas estão sempre presentes. Tatiana diz que a notícia foi um baque para ela e a família. “Você se questiona muito. Até entrei em uma depressão. Depois, li muito sobre o assunto e comecei a entender e foi fluindo. Hoje eu trato ele como uma criança normal”, fala. Após o diagnóstico, Diego iniciou o tratamento comfonoaudióloga, pedagoga e neuropsicóloga.

Tatiana e o Diego saíram de Santos, onde moravam com o pai do garoto, e foram viver em Itanhaém. Mesmo com o transtorno, Diego foi matriculado na escola municipal Maria Graciette Dias, pelo sistema de inclusão. “O Diego é um autista. Todos os autistas têm direito a um estagiário. Eles são estudantes e ficam com essas crianças de inclusão. Na nossa escola, a gente tem uma média de 13 crianças especiais.”, explica a diretora Rita de Cássia Brandão Gouvêa.

A professora  Marlene Carraro Mucsi, de 50 anos, diz que Diego chegou na escola muito arredio e não gostava muito de ter contato com as pessoas.  Ela só acompanhava o menino de longe, mas, neste ano, começou a dar aulas para Diego. “Já tinha trabalhado com outras deficiências, mas com autismo foi a primeira vez”, diz. A professora foi aprendendo a lidar com o menino no dia a dia. “O grau do autismo dele é leve, não há necessidade de trabalhar atividades diferenciadas com ele, o que precisamos é respeitar o tempo. A gente conhece outros autistas que são agressivos, inquietos, não param sentados em sala de aula. Não é o caso dele”, explica a professora. Ela ressalta que Diego acompanha as lições na classe do 5º ano como qualquer outro aluno. Segundo Marlene, o menino lê muito bem, é alfabético, consegue fazer contas e resolver os problemas de matemática.

Professora Marlene, Diego e a estagiária Carol (Foto: Mariane Rossi/G1)Professora Marlene, Diego e a estagiária Carol
(Foto: Mariane Rossi/G1)

A convivência com outras crianças e os cuidados das professoras fez o menino melhorar de comportamento e também a ganhar mais conhecimento. Na escola, ele também descobriu, principalmente, a aptidão para o desenho e animação. A mãe dele conta que o menino adora ficar no computador, vendo vídeos, fazendo desenhos e criando histórias, principalmente, com o Mickey, o personagem preferido de Diego.

Na sala de aula, ele coloca os desenhos na lousa digital e vira um contador de histórias, interpretando os personagens. “Eu faço a narradora e ele o Mickey. Na verdade, ele não lê a história, ele decora as falas. De vez em quando, é no início da aula, às vezes, é no final”, explica a professora. Do outro lado da sala, estão diversos outros alunos com a mesma idade de Diego. Eles riem com a interpretação do menino, entendem a história e, no final, batem palmas pela apresentação do colega de classe. “Para ele é bom. A questão de ele desenhar bem também motiva as outras crianças a quererem desenhar como ele. Já cria um convívio, uma proximidade”, diz a mãe do menino.

Diego e a professora contando histórias para a classe (Foto: Mariane Rossi/G1)Diego e a professora contando histórias para a classe (Foto: Mariane Rossi/G1)

Por causa da contação de histórias, Diego também passou a ter mais comunicação com as pessoas, mesmo que, assim como outros autistas, não goste de muito contato físico. Tatiane vê o quanto o filho melhorou no âmbito social. “Ele começou a evoluir de uma maneira tão rápida, até na questão de amizade, tem mais carinho, mais afeto das outras crianças, tem a estagiária que fica direto com ele. Eu me arrependi de não ter colocado antes nessa escola”, admite.

Já Diego mostra orgulhoso os desenhos do Mickey, expostos em um painel que foi colocado em um dos corredores da escola. Para a mãe, o futuro do filho sempre estará ligado ao mundo da animação. “Ele fala que quer trabalhar na parte de animação de estúdios. Eu acho que é o que ele vai acabar seguindo”, diz Tatiana.

Diego antes de contar uma história sobre o Mickey (Foto: Mariane Rossi/G1)Diego antes de contar uma história sobre o Mickey (Foto: Mariane Rossi/G1)
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‘Vivi os piores momentos da minha vida’, diz jovem sobre trotes

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‘Vivi os piores momentos da minha vida’, diz jovem sobre trotes

Luiz Fernando desistiu do curso na Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo. Ele sofreu um trote brutal, passa por tratamento psicológico e ainda não conseguiu retomar os estudos.

Um jovem sofre um trote brutal na faculdade. A violência é tanta que ele foge dali, desiste do curso e volta para a cidade natal. Agora, ele recebe um comunicado da faculdade: precisa voltar urgentemente para ocupar a vaga. Mas o trauma é tão grande que ele não consegue retomar os estudos.

Hoje, protegido e longe do terror que viveu no primeiro dia do curso de medicina, Luiz Fernando mostra o rosto pela primeira vez. Vítima de trote violento, ele ficou um mês escondido com medo de ameaças e agressões.

“Chutes, garrafadas, chutes de pontapé. Muitas vezes alguém dava tapa quando eu estava andando”, conta Luiz Fernando.

Aos 22 anos, Luiz Fernando passou em um vestibular muito disputado. Órfão de pai, vive com a mãe e um irmão em uma cidade da periferia de Belo Horizonte. Ele tinha um sonho: “Queria fazer medicina porque eu tenho um irmão deficiente, queira ajudar ele a ter melhor condições de vida”, revela.

Entrou na respeitada Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo. “Vivi os piores momentos da minha vida. Com o tempo fui percebendo que o sonho virou terror na minha vida. Tudo foi só sofrimento”, conta Luiz Fernando.

Luiz Fernando tem autismo, um transtorno que dificulta o convívio social. No caso dele, a doença tem um grau leve. “Então, ele é um autismo de alto funcionamento. É um rapaz muito inteligente, mas tem prejuízos na linguagem”, explica a pedagoga Ozana Leal.

O estudante foi morar sozinho em São José do Rio Preto. A vida dele parecia tranquila até o dia 18 de março: o dia da festa dos calouros.

A festa aconteceu em um clube, o Centro do Professorado Paulista, conhecido como CPP, que fica a 500 metros da faculdade de Medicina. Durou três dias, tinha música, muita bebida e momentos de agressão e humilhação dos calouros, que mesmo assim, tiveram que pagar, cada um, R$ 750 para participar da festa.

Luiz Fernando foi o único calouro que teve coragem de contar o que sofreu dentro do clube. “Eles entraram antes de a festa começar na sala e avisaram: ‘aqui a gente segue uma hierarquia e a gente apanhou há seis anos atrás. O povo do sexto ano da faculdade. Hoje é o dia de vocês apanharem, porque você são bichos da faculdade e vocês vão apanhar hoje para bater amanhã’”, lembra.

Lá dentro, o que deveria ser comemoração logo saiu do controle. “E quanto mais eles iam ficando embriagados, os veteranos, mais as coisas ficavam pesadas para o lado da gente. De ficar de joelho, levando a cerveja, a gente seria agredido, muitas vezes chutavam a gente. Eu fiquei com roxo na perna, fiquei com um machucado no lábio. Algumas vezes eles estavam tacando cerveja na gente, pegavam a garrafa de cerveja e batia na gente. E chegou uma situação em que eles pegaram a gente, colocaram, nus, cima de um palco. Eu já estava completamente passando mal, não estava aguentando. Fiquei pelado em cima do palco, com todo mundo olhando, junto com outros calouros também, homens. Enquanto isso eles tacavam copos de cerveja gelada no corpo da gente, com a gente morrendo de frio, tremendo muito. Depois que a gente desceu, eu comecei a reclamar que estava com frio, sentindo muito frio. Estava tremendo, passando muito mal. Levaram para um canto, tacaram de joelho no cimento e começaram a urinar, umas oito pessoas em volta de mim começaram a urinar em cima da minha cabeça”, conta Luiz Fernando.

Luiz Fernando conseguiu fugir da chácara da festa. Foi ajudado por um professor da faculdade. “A gente deduz que ele estivesse vindo do local de alguma festa de calouros que tinha ocorrido em um ambiente fora da instituição”, afirma o professor Kazuo Nagamine.

Durante os dias do trote, a turma de Luiz Fernando trocou mensagens de celular.

– Jogar refri de limão em cima de bolha de queimadura.
– Gente, eu não vou. Passei muito mal ontem. Não sei se aguentaria tudo de novo hoje.

E mostram o receio sobre os próximos dias.

– Hoje a gente morre de hipotermia.
– Vai ficar muito ruim 15 pessoas tomarem trote que era para 80.
– Eles, o sexto ano, matam a gente. Não sei o que eles podem fazer, mas é melhor não testá-los.

Luiz Fernando decidiu não ir ao segundo dia de trotes. E recebeu ameaças dos veteranos.

“’A gente sabe onde você mora. A gente tem o seu telefone. Ou você cancela a sua matrícula aqui ou a gente vai atrás de você e te mata agora’. Ameaçaram de morte. Foi uma ligação feita de um telefone público’”, conta.

Com medo, ele procurou a polícia para registrar as agressões e decidiu voltar para a casa da mãe, em Minas. “Já tinha achado que a minha vida tinha acabado. Eu estava em um apartamento, se eu não fosse embora naquele dia de madrugada do apartamento, eu ia me matar. Era o que eu estava pensando na hora”, conta.

O Ministério Público de Rio Preto quer acabar com a Lei do Silêncio que envolve os trotes violentos na faculdade de Medicina na cidade. Como a polícia não fez nada em relação às denúncias do estudante Luiz Fernando, um promotor entrou na história e quer agora que o caso seja investigado imediatamente.

“A expectativa é que as outras vítimas compareçam à delegacia e digam o que foi que houve, afirma o promotor José Heitor dos Santos.

“Instalamos uma comissão apuratória, comissão de sindicância para apurar os fatos. Nós sabemos que existem festas. Essa festa se deu fora dos muros da faculdade”, declara Dulcimar Donizete de Souza, diretor da faculdade.

“A faculdade, de uma forma ou de outra, é conivente com esse tipo, nem é trote isso, isso é tortura”, afirma Eupídio Donizete, advogado de Luiz Fernando.

Luiz Fernando quer ser transferido para outra faculdade. “Não tenho condição física nem psicológica de voltar para lá. Eu estou em tratamento, fazendo tratamento psicológico, estou tomando medicamento. Só consigo estudar, só consigo tocar a minha vida porque eu estou sendo medicado e com ajuda. E a faculdade me deu um prazo de 30 dias para voltar para lá”, diz.

Trotes violentos são frequentes no Brasil. Na internet, muitos vídeos mostram abusos cometidos contra os calouros. No da turma de 2013 do curso de direito da UERJ, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, o conteúdo de uma garrafa que parece ser de vinagre é derramado no rosto dos novatos, que se protegem.

Na época, a comissão que organiza o trote publicou uma nota na internet: “tentamos evitar ao máximo que qualquer coisa acontecesse, tanto que liberávamos os calouros que não queriam mais beber ou que não queriam mais estar ali.”

Em 2010, alunos da Fundação Educacional de Barretos, no interior de São Paulo, sofreram queimaduras ao serem pintados com tinta e creolina, um desinfetante corrosivo.

Em 2009, na Universidade Anhanguera Educacional da cidade de Leme, também em São Paulo, mais um exemplo de abuso. “Os calouros tiveram que passar por uma mistura de esterco e fezes de vários animais. E várias outras coisas”, diz uma testemunha.

A faculdade expulsou dois alunos e suspendeu sete.

O caso mais marcante dos absurdos cometidos nessas festas aconteceu em 1999, na Universidade de São Paulo. O calouro de medicina Edison Hsueh morreu afogado na piscina da Associação Atlética da Faculdade de Medicina da USP. O corpo foi encontrado no dia seguinte. Sete anos depois, o caso foi arquivado pelo Superior Tribunal de Justiça por falta de provas.

Além de expulsos da faculdade, veteranos que promovem trotes violentos podem ser presos e responder a crimes como injúria, que significa ofensa à dignidade da vítima, com pena mínima de um mês de cadeia; constrangimento ilegal, pena mínima três meses chegando a dois anos; e lesão corporal, também três meses de prisão, pelo menos.

Desde 1999, trotes violentos são proibidos por lei nas universidades públicas de São Paulo.

“Não vão ser esses monstros que vão destruir a minha vida, não. Lutei quatro anos para passar em uma faculdade. Não vai ser por causa de gente assim que vai acabar com o meu sonho, não. Eu estou disposto agora a lutar até o fim por justiça. Eu quero justiça”, afirma Luiz Fernando.

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MUNDO AZUL – INÍCIO AO CURSO DE CAPACITAÇÃO DE PROFESSORES EM EDUCAÇÃO INCLUSIVA

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COM A ENTRADA EM VIGOR DA LEI ESTADUAL/RJ 6708/2014 E DA RESOLUÇÃO E/CMEN 24/2012 É PRECISO FAZER A CAPACITAÇÃO DOS PROFESSORES DA REDE PÚBLICA E PRIVADA DE ENSINO. O MUNDO AZUL – GRUPO DE PAIS IRÁ DISPONIBILIZAR ESSA CAPACITAÇÃO. DEVIDO A GRANDE PROCURA ESTAMOS FAZENDO PRÉ INSCRIÇÃO PELO E-MAIL:EVENTOMUNDOAZUL@GMAIL.COM . O CURSO ESTÁ PREVISTO PARA INICIAR NA SEGUNDA QUINZENA DE AGOSTO. FAÇA JÁ SUA PRÉ INSCRIÇÃO.
PREZADOS PROFESSORES DA REDE PÚBLICA E PRIVADA DE ENSINO (EDUCAÇÃO INFANTIL AO ENSINO MÉDIO) O MUNDO AZUL DARÁ INÍCIO AO CURSO DE CAPACITAÇÃO DE PROFESSORES EM EDUCAÇÃO INCLUSIVA NO MÊS DE AGOSTO/2014 DANDO EFETIVIDADE A LEI ESTADUAL/RJ 6708/2014 E DA DELIBERAÇÃO E/CMEN°24/2012, FAÇA JÁ SUA PRÉ INSCRIÇÃO PELO E-MAIL: EVENTOMUNDOAZUL@GMAIL.COM, EM BREVE DIVULGAREMOS O LOCAL E VALOR DO INVESTIMENTO QUE SERÁ MÓDICO.

pais de autistas serão fiscais da educação inclusiva na escola

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Com a entrada em vigor da Lei Estadual/RJ 6708/2014 e da Resolução do Conselho Municipal/RJ de Educação E/CME N°24/2012 as escolas públicas e privadas de ensino regular (da educação infantil ao ensino médio) tem que disponibilizar aos seus alunos EDUCAÇÃO INCLUSIVA. Todos os pais de autistas serão fiscais da educação inclusiva na escola de seu filho já na matrícula de 2015.

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