Archive | Junho 2013

Casamento + filhos com Autismo = Separação?

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Casamento + filhos com Autismo = Separação?

Não é segredo para ninguém que, na sociedade moderna, os relacionamentos têm durado cada vez menos, tendo se tornado quase que descartáveis ou com prazo de duração pré-estabelecido. A vida a dois é difícil e requer bastante atenção e cuidados por parte do casal. Não somente o Amor, mas também o respeito é peça chave e fundamental para toda e qualquer relação, seja amorosa, entre amigos ou até mesmo no âmbito profissional. O dia a dia agitado, com mil tarefas a ser desempenhadas, principalmente por parte da mulher, que é esposa, mãe e profissional, torna esta missão por vezes quase que IMPOSSÍVEL. A grande verdade é que homens e mulheres encaram o nascimento de seus filhos de formas distintas, até mesmo por questões culturais e biológicas, nas quais a própria natureza se encarrega de oferecer aos pais certas limitações. Quando recebemos aquele “papelzinho” escrito POSITIVO, que significa a confirmação da gravidez, nossa vida muda instantaneamente. Nos sentimos “a Mãe” e pobre daquele que ousar não notar a nossa “barriga” (ainda inexistente mas que juramos de pés juntos existir!). Nos tornamos mães antes mesmo de nossas crias virem ao mundo. Durante 9 meses gestamos nossos bebês, conversamos com eles e sentimos passo a passo as mudanças  que acontecem em nossos corpos e acompanhamos o verdadeiro milagre da vida acontecendo em nossos ventres. Deixamos de ser somente filhas para nos tornarmos Mães. Deixamos de ser somente protegidas e passamos também a proteger. E como NUNCA, passamos a entender melhor nossas mães…E os homens? Estes ainda não se tornaram efetivamente pais. Acompanham como meros telespectadores a revolução que está em andamento. Alguns acompanham bem de perto (chegam até a enjoar!) enquanto outros assistem passivos, sem saber o que fazer, com medo de interferir e macular aquele momento único, entre mãe e filho, momento este em que parece não haver espaço para a presença de mais ninguém. Que fique bem claro que aqui NÃO vai nenhuma crítica aos pais! De forma alguma!!! Em minha opinião, o homem se torna pai quando o bebê nasce. Mas como se dá este processo no dia a dia? Conheço homens que trocam fraldas, assumem muitos dos cuidados com o bebê e são exímios na arte de colocar seus filhotes para dormir, mas a Natureza (que também é Mãe) se encarrega, caprichosamente, de nos tornar responsáveis pela alimentação de nossos filhos, alijando mais uma vez o homem deste processo. É milenar o fato de que homens e mulheres têm papéis totalmente diferentes no processo de criação dos filhos. Entretanto, é justamente por este motivo que a coisa funciona.  O que, naturalmente, NÃO impede que somente um dos dois possa assumir esta criação sozinho (em caso de separação) e de obter êxito e sucesso neste processo. O instinto maternal e quase animal (afinal , qual é a mãe que não se transforma numa verdadeira leoa para defender seus filhos?) faz com que muitas mulheres tenham a tendência de super proteger seus filhos, esquecendo-se que a superproteção desprotege e cria seres frágeis e inseguros, incapazes de enfrentar as mínimas adversidades que a vida, porventura, vier a lhe proporcionar. Homens são geralmente mais “durões” com os filhos, chamando-os à razão para as cobranças da vida, de forma providencial. Um complementa o outro. Os papéis de ambos compõem uma verdadeira peça de encaixe e ambos precisam estar em plena sintonia para que este processo seja bem sucedido. Quando o bebê nasce é natural que nós, mulheres, voltemos nossas atenções para eles. Alguns maridos relatam que se sentem abandonados neste momento. É uma nova fase que não perdura muito tempo e que requer a adaptação do casal. Rapidamente o bebê irá crescer e as coisas entrarão novamente os eixos. É mais ou menos desta forma que acontece o funcionamento de uma família com uma criança neurotípica. E quando nos deparamos com um filho com  necessidades especiais? Especificamente autismo, em nosso caso? Estas são crianças que levam um tempo MUITO maior para crescer. Demandam uma atenção e vigília constante e se torna obrigatório que sejamos a legítima “mulher-polvo”, com vários braços, além de necessitarmos de, pelo menos, uma dúzia de olhos (que por mais que sejam, serão sempre insuficientes!) Trocando experiências com outras mães cheguei a conclusão de que ter uma criança autista em casa pode ser comparado a ter quase que eternamente o stress e a preocupação que temos quando eles são recém nascidos. São e sempre serão, por mais que cresçam e evoluam – e é fato que trabalhamos e nos dedicamos com afinco para que isto aconteça – nossos eternos meninos e meninas. Demandam uma atenção extremamente maior e em tempo integral do que as crianças neurotípicas. O cansaço que sentimos, muitas vezes, beira à exaustão física e mental. E como ele se repete diariamente, tornando-se um ciclo ininterrupto, nos tornamos extremamente sensíveis a tudo e a todos… Emoção à flor da pele, literalmente. Muitas de nós abdicam de seus empregos para se dedicar aos filhos autistas. Da mesma forma, abrimos mão de nossas atividades de lazer. O tempo que anteriormente era gasto conosco, por exemplo, ora trabalhando, ora fazendo compras, lanchando com amigas ou viajando com nossos cônjuges é empregado quase que totalmente à nossas crianças, tarefa que, embora seja realizada com amor e carinho enormes, pode desprender até 10 horas diárias de nossa atenção. Exaustas física e emocionalmente, queremos ser ouvidas e cuidadas por nossos companheiros e partilhar com eles nossos anseios, dúvidas e esperanças a respeito dos filhos. Queremos também que eles nos ajudem nas atividades relacionadas às crianças, dividindo assim um pouco desta tarefa árdua. Mas nossos parceiros também estão esgotados da luta diária e nem sempre prontos ou aptos a nos ouvir. Ou por vezes, simplesmente, não sabem como nos ouvir e nos ajudar, pois encontram-se tão ou mais inseguros do que nós. Frequentemente, é possível observar que alguns cônjuges procuram culpa uns nos outros (“ele é autista porque deve ter puxado alguém da sua família!!!”), como se houvesse um vilão responsável pela condição do filho e como se elegendo um culpado a situação se resolvesse e o Autismo simplesmente desaparecesse de suas vidas! Muitas vezes, os relacionamentos não suportam e sucumbem à esta verdadeira tsunami de emoções, sensações e sentimentos.

Desde que entrei nesta “montanha-russa” emocional do Autismo, tomei conhecimento de que  é amplamente divulgado que a porcentagem de divórcio entre os casais com filhos autistas chega a quase 80%. Sempre aceitei este índice como sendo verdadeiro, pois é muito comum encontrarmos pais e mães de autistas divorciados. Desta forma, temos  um conceito (equivocado) de que casais com filhos com TEA estão, praticamente, condenados à separação. Entretanto, quando optei por abordar deste tema, pesquisei a respeito e notei que esta é mais uma lenda urbana acerca do Autismo.

Uma pesquisa conduzida em Maio de 2010 pelo Dr. Brian Freedman, do Kennedy Krieger Institute, apontou para o fato de que o índice de separações entre casais com filhos autistas (64%) é praticamente o mesmo índice que observamos entre os casais com filhos neurotípicos (65%). Apesar destas novas evidências, isto NÃO significa de forma alguma  que a vida de casais com filhos com TEA seja mais tranquila. Alguns estudos  trazem achados bastante interessantes; já se sabe que os pais de crianças autistas apresentam níveis mais elevados de stress do que os pais de crianças com Síndrome de Down e com outras condições  psiquiátricas, por exemplo. Por outro lado , também é possível encontrar casais que relatam que seus relacionamentos saíram fortalecidos desta experiência, pois precisaram se unir ainda mais e se descobriram companheiros e parceiros, não somente marido e mulher, pai e mãe. Não  há como contestar que o Autismo, bem como os desdobramentos que ele nos traz, pode influenciar negativamente o casamento, pois cuidar de uma criança com TEA influencia todos os aspectos da vida familiar e a relação marital não escapa deste impacto.

Portanto, é vital que marido e mulher se unam neste momento, evitando cobranças e críticas um ao outro, pois estas atitudes não resolvem a questão e só agregam ainda mais amargura e sofrimento a este processo. Buscar grupos de apoio é uma ideia bastante válida, pois a troca de experiências com outros pais que vivem a mesma situação com seus filhos costuma ser reconfortante e positiva. A divisão de tarefas entre ambos, que devem se alternar ( na medida do possível ) nos cuidados com o filho e na tomada de decisões, é fundamental para que um dos dois não fique sobrecarregado física e emocionalmente. E se ainda assim a separação for  inevitável, deve-se manter em mente que, mesmo separados,  os pais devem unir-se pelo filho, mantendo a divisão das tarefas parentais para que através da  educação partilhada, o objetivo maior seja alcançado: o bem estar, a felicidade e o desenvolvimento desta criança. Afinal, existem ex marido e ex mulher, mas filho é para SEMPRE.

Mensagem ABRAÇA – Associação Brasileira para Ação por Direitos dos Autistas

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Mensagem ABRAÇA – Associação Brasileira para Ação por Direitos dos Autistas

http://https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=A3EkghoF1Qw

Mundo Azul

O Brasil Precisa Conhecer o Autismo.

Manifestante com filho autista e filha de 8 anos chama a atenção em Cuiabá

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QUE EXEMPLO DE LUTA  PELA NOSSA CAUSA.

Diversas famílias foram à Praça Alencastro, em frente à Prefeitura de Cuiabá, para participar nesta quarta-feira (19) da manifestação por melhorias no transporte coletivo e redução do valor das passagens de ônibus, que levou manifestantes a percorrer avenidas da região central da cidade.

Um pai que estava com os dois filhos, sendo um deles de 12 anos e autista, chamou a atenção de pessoas que participavam do protesto. O oficial de Justiça Pedro Aparecido saiu do serviço e passou em casa para buscar os filhos.

“Eu os trouxe para a escola. É aqui que vão aprender”, enfatizou ao levantar um cartaz com uma das mãos enquanto a outra servia para empurrar a cadeira de rodas em que estava o filho André. O garoto e a irmã, de 8 anos de idade, também seguravam cartazes e acompanhavam o pai no ato. “Tenho 8 anos, acabei de aprender a ler e escrever. Estou na luta. E você?”, é uma das frases carregada pelos filhos.

O manifestante considera que a passeata é o grande momento em que a sociedade pode gritar pelos seus direitos e cobrar por um retorno do poder público. Por conta disso, ressalta, sempre participa de manifestações populares e quando dá, aproveita para levar os filhos com o objetivo de “aprender” a contestar por uma sociedade mais justa.

Uma multidão começou, por volta das 17h, a percorrer a Avenida Getúlio Vargas. O grupo seguiu pelas avenidas São Sebastião, Isaac Póvoas e Tenente Coronel Duarte (Prainha) até retornar para a Praça Alencastro. Foram duas horas de passeata e a frente da Prefeitura foi completamente tomada por estudantes, universitários, pessoas de diversas idades. Lá, os organizadores do movimento aproveitaram para chamar a atenção dos manifestantes quanto à dificuldade enfrentada diariamente pelas pessoas que dependem exclusivamente do transporte público.

O protesto transcorreu de forma pacífica durante todo o percurso e teve o acompanhamento de policiais militares do Batalhão de Trânsito, como também de agentes de trânsito da prefeitura. Esta é a segunda manifestação realizada em Cuiabá em quatro dias. No domingo (16), um grupo decidiu protestar durante a Caminhada No Clima da Copa, realizada pela Secretaria Extraordinária da Copa (Secopa). Eles percorreram cerca de dois quilômetros do Museu do Rio, no bairro Porto, até o local onde está sendo construída a Arena Pantanal, que vai sediar quatro jogos na Copa do Mundo de 2014.

PARABENS.

MUNDO AZUL

O BRASIL PRECISA CONHECER O AUTISMO

Organização recruta pessoas com autismo para o mercado de trabalho

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“Ele está perguntando: ‘Você é humano ou máquina?'”, diz Tobias Ussing enquanto seus dedos correm pelo teclado.

Tobias está codificando seu computador para colher dados sobre como uma empresa pode chegar ao topo da lista de resultados quando a palavra “contêiner” é escrita no Google. Uma seção na tela lhe pede para digitar algumas letras, como controle de segurança.

Tobias não se incomoda quando é descrito como nerd. E não se incomoda quando é chamado de especialista. Mas o especialista em dados, que tem 30 anos, não gosta de ser encaixado em uma categoria: autista. Apesar de ter recebido o diagnóstico do autismo, uma disfunção do desenvolvimento, quando tinha 14 anos de idade.

“Uma vez fiz um exame de sangue, e a enfermeira perguntou se eu tinha algum problema. Falei que tinha autismo e ela disse: ‘Você pode voltar quando estiver bem de novo'”, ele conta, sorrindo.

“Há tanto preconceito, tanta ignorância em relação ao autismo. As pessoas parecem sentir a necessidade de enquadrar você numa categoria. Mas dizer que todos os autistas são iguais é como dizer que todas as pessoas que têm um braço quebrado são iguais.”

O governo americano estima que 1% da população mundial tenha alguma forma de autismo.

Estudos dinamarqueses e internacionais mostram que até oito em cada dez autistas são excluídos do mercado de trabalho, a um custo altíssimo para a sociedade.

Tobias Ussing ficou desempregado por dois anos, até entrar em contato com The Specialists, seis meses atrás. Entidade dinamarquesa sem fins lucrativos, o objetivo da The Specialists é mudar a visão convencional do autismo, levando as pessoas a enxergá-lo não como desvantagem, mas como vantagem.

Um benefício ao indivíduo, para as empresas e para a economia da sociedade. Com frequência os autistas podem ser destituídos de habilidades sociais e precisar de estrutura e segurança; ao mesmo tempo, porém, podem possuir habilidades singulares.

Tobias é um dos 35 autistas empregados na Dinamarca pela The Specialists como consultores de informática. Ele passa 20 horas semanais resolvendo tarefas de informática para clientes de empresas e do setor público. Suas tarefas incluem testar algumas páginas e livrá-las de bugs, ou, como sua tarefa atual, otimizar sistemas de busca. Ele aponta para uma planilha na tela e explica que o sistema agora colhe dados sobre quantas pessoas estão on-line à procura de respostas sobre vendas de contêineres.

“Digitar tudo isto manualmente levaria várias horas, mas deste jeito demora apenas dez minutos”, ele revela.

O fundo de pensões dinamarquês ATP há um ano emprega um grupo de consultores da Specialists. A gerente de seção Vibeke Brask afirma que os seis consultores precisam de menos agitação à sua volta e mais informação direta que os outros funcionários. Por outro lado, eles otimizaram o atendimento ao consumidor e os procedimentos de trabalho para lidar com casos, graças à sua perseverança e seu dom inigualável para o reconhecimento de detalhes e padrões.

“Eles começaram com tarefas simples de atendimento de casos, mas em pouco tempo observaram detalhes ou estruturas que poderiam ser transformados em maneiras melhores de fazer coisas. Há muito poucos erros, e eles são capazes de trabalhar com listas longas que os outros simplesmente não conseguem. Quanto à motivação, muitos de nossos funcionários achariam insuportável fazer o que os Specialists conseguem fazer por várias horas a fio. Eles dão conta de muito mais do que nos foi dito e têm sido um trunfo real para nós”, comenta Brask.

A The Specialists foi fundada dez anos atrás por Thorkil Sonne, que abandonou uma carreira promissora no grupo de telecomunicações TDC. Seu filho tinha nascido com autismo e, como acontece com a maioria das pessoas que recebem esse diagnóstico, poderia prever uma vida inteira de manutenção passiva.

“A Specialists foi fundada não como empresa para criar um emprego para meu filho, mesmo porque eu não tinha ideia do que ele ia querer fazer. O objetivo era mudar a atitude da sociedade em relação a ele e a todas as outras pessoas com autismo, para que encontrassem mais compreensão e tivessem opções melhores na vida”, diz Sonne.

Sua meta era conseguir mil empregos para autistas, e essa meta está perto de ser alcançada. Com o sucesso do programa e a atenção internacional que vem recebendo, sua ambição também já cresceu. Agora a meta é criar 1 milhão de empregos para autistas.

Hoje a The Specialists e sua Specialist People’s Foundation estão representados em nove países. Os países mais recentes a figurar na lista são a Espanha e os Estados Unidos. Em maio deste ano, a família Sonne se mudou para o Estado de Delaware. A partir de sua nova base, a organização finalmente conseguiu seu grande avanço internacional.

O grupo alemão de software SAP é o mais recente a ter formado uma parceria com a The Specialists para a criação de 650 empregos até 2020 para autistas na seção de informática –ou seja, 1% da força de trabalho global da empresa.

E, contando com o apoio do governador do Delaware, Jack Markell, Sonne formou um acordo de parceria nos EUA com o grupo global de informática CAI. Pelo acordo fechado, o CAI vai criar cem empregos para americanos com autismo nos próximos 2,5 anos. O grupo diz que os empregos mais comuns envolvem programação e testes de softwares, entre outros.

“As pessoas se definem por suas habilidades, e não suas disfunções. Ao empregar pessoas com autismo, o CAI se mune de talentos únicos que beneficiarão sua rentabilidade. Hoje em dia, mais que nunca, a competitividade de nosso Estado e nosso país depende de fazermos uso do potencial pleno da sociedade –o potencial pleno de todos”, diz o governador Markell.

Nos Estados Unidos, a The Specialists também iniciou discussões com a gigante da informática Intel e com a maior rede varejista do mundo, Walmart.

Sonne afirma que a Specialists chegou aos EUA no momento certo. Cada vez mais pessoas vêm recebendo o diagnóstico de autismo; a cifra mais recente é de uma em cada 50 pessoas.

Ao mesmo tempo, a Associação Nacional de Governadores proclamou 2013 o ano da promoção do emprego para pessoas com deficiências.

“Essas parcerias me dão orgulho e alegria”, declara Sonne. “Esse modelo nos ajudará a alcançar nossa meta de gerar 1 milhão de empregos. Aqui nos EUA testemunhei envolvimento muito forte entre os atores locais. A atitude americana de ‘vamos fazer!’ é muito diferente da atitude europeia, um pouco mais relutante em entrar em contato com o problema.”

“Isso é lamentável, já que os autistas são capazes de desempenhar toda sorte de tarefas no setor da tecnologia de informação, na indústria farmacêutica e no setor financeiro. Na realidade, creio que pelo menos 5% das tarefas em qualquer setor econômico seriam perfeitas para autistas, já que eles sentem satisfação em exercer empregos que, antes, não davam satisfação a ninguém.”

Uma nova forma de enxergar o autismo

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O autismo é um distúrbio do desenvolvimento que, entre outras consequências, afeta profundamente a capacidade estabelecer relações sociais. O isolamento e o universo absolutamente particular do autista vêm intrigando pesquisadores do tema e são fontes de angústia e sofrimento para pais e familiares de portadores do transtorno.

Por que uma criança aparentemente normal começa a se fechar em si até se isolar completamente? A resposta para esse questionamento ainda está longe de ser totalmente elucidada, mas é consenso entre especialistas no tema que o diagnóstico precoce pode interferir no desenvolvimento do distúrbio, atenuando muitas das características que impedem o autista de interagir socialmente.

Divulgação

Klin: diagnóstico precoce pode atenuar limitações do autismo

 

É nesse ponto que entra o trabalho do brasileiro Ami Klin, diretor do Marcus Autism Center, o maior centro de pesquisa e tratamento do distúrbio nos Estados Unidos. Há mais de uma década, Klin e equipe vêm desenvolvendo uma forma de identificar precocemente os sinais do autismo analisando como crianças sem e com o transtorno direcionam a atenção quando expostas a vídeos com situações rotineiras de interação social. Atualmente, o grupo já conseguiu estabelecer padrões de identificação do distúrbio até em bebês de poucos meses.

Desde as primeiras semanas de vida, explica Klin, os recém-nascidos preferem escutar a voz humana – preferencialmente de quem cuida deles – e dão mais atenção aos olhos de seus cuidadores do que a qualquer outra coisa ao redor. Essa preferência é algo instintivo, faz parte de um mecanismo de desenvolvimento social no qual a criança precisa estabelecer laços com quem cuida dela, pois disso dependerá nada menos do que a própria sobrevivência. É por meio dessa interação que os bebês vão se tornando sociais e se fazem entender usando o olhar, o choro, o riso, os gritos, os gestos, os primeiros balbucios e finalmente a fala.

“Em crianças com autismo, no entanto, tudo o que faz com que elas se relacionem com o seu cuidador é atenuado, não transcorre como deveria”, explica Klin.

Essa interrupção no processo de construção da interação social acaba gerando e agravando o isolamento, os problemas de linguagem, o retardo mental e a dificuldade para intuir os sentimentos dos outros em situações de interação. Sem essas habilidades básicas, o autista vai se isolando cada vez mais do mundo das pessoas para mergulhar no mundo das coisas.

“A maior parte das incapacitações associadas ao autismo tem a ver com os problemas gerados pela dificuldade de interação social. Aqui nos Estados Unidos o diagnóstico correto do distúrbio ocorre, em média, aos cinco anos. Em classes menos favorecidas isso demora mais ainda. É muito tarde”, diz o especialista.

A pesquisa desenvolvida por Klin e equipe se propõe a identificar, por meio de uma técnica chamadaeye-tracking , o rastreamento do movimento dos olhos, sinais de que a atenção da criança está mais focada em coisas do que em pessoas – um indicativo da presença do distúrbio.

O foco da atenção em objetos e outras áreas que não o rosto (especialmente olhos e boca) do interlocutor, aliás, é uma das primeiras coisas que as mães de crianças autistas percebem de estranho com seus bebês. Quanto mais cedo essa suspeita foi investigada, maiores serão as chances interferir na evolução do transtorno e assim atenuar as características mais incapacitantes do autismo, como o retardo mental, por exemplo.

Leia mais: Terapia precoce pode ajudar a prevenir autismo

Interromper o caminho em direção ao isolamento não é uma tarefa simples e depende da ajuda de profissionais capacitados, além de um grande envolvimento dos pais e familiares da criança.

“Parte do tratamento consiste em ensinar e treinar a mãe para estabelecer essa reciprocidade com a criança, mesmo que ela não esteja interagindo plenamente com essa mãe”, diz o especialista, que também chefia a Divisão de Autismo e Transtornos de Desenvolvimento da Escola de Medicina da Emory University, em Atlanta (EUA).

Para Klin, embora o autismo em si seja uma vulnerabilidade na área social, ter o distúrbio não significa que a pessoa não possa desenvolver talentos ou se relacionar com os outros. Autistas têm sim, capacidade intelectual e conseguem aprender com muita facilidade as coisas rotineiras, repetitivas, previsíveis e que têm regras claras. Por isso podem se sair bem em atividades como a área da computação.

“Eles têm uma perspectiva bem diferente das coisas. Conheço professores universitários que têm autismo. Eles não têm a capacidade intuitiva, mas conseguem desenvolver uma espécie de engenharia social que os permite funcionar produtivamente.”

Leia: Autistas encontram espaço no mercado de trabalho corporativo

“Sempre digo aos pais, durante o diagnóstico: um filho com autismo é um desafio, mas hoje há muito a ser feito, dependendo da idade e do perfil do transtorno. Sempre digo a eles para não pensarem no futuro e sim no presente. Digo para não limitarem as próprias aspirações em relação a essas crianças e estimulo-os a tentarem entender as forças e as fraquezas delas, para e focarem em tratar as fraquezas o quanto antes. O objetivo não deve ser curar o autismo, mas criar uma situação em que essas pessoas possam se desenvolver e ser felizes.”

Estudo revela conexões cerebrais fracas em crianças autistas

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Estudo revela conexões cerebrais fracas em crianças autistas

Pesquisa pode abrir caminho para novos tratamentos Texto: -A+A Crianças com autismo têm conexões cerebrais fracas nas regiões que relacionam o discurso com o sistema de recompensa emocionalGetty images Algumas crianças com autismo têm conexões cerebrais fracas nas regiões que relacionam o discurso com o sistema de recompensa emocional, revelou uma pesquisa nesta segunda-feira (17), abrindo caminho para novos tratamentos. O estudo publicado na revista “Actas” da Academia Nacional de Ciência dos Estados Unidos (PNAS) sugere, pela primeira vez, que a razão pela qual as crianças com autismo mostram uma falta de sensibilidade à voz humana pode se vincular a circuitos defeituosos nos centros de recompensa do cérebro, como explica Vinod Menon, um dos autores do estudo e professor de Psiquiatria e Ciência do Comportamento na Universidade de Stanford, Califórnia. — Uma conexão cerebral fraca pode impedir as crianças com autismo de experimentar o discurso como algo agradável.

São Pedro da Aldeia e Mundo Azul juntos na Conscientização do Autismo.

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O Mundo Azul Grupo de Pais o Brasil Precisa Conhecer o Autismo esteve presente neste domingo dia 16/06/2013  no Ciep  Gabriel Joaquim dos Santos, na Estrada dos Passageiros, bairro São João, em São Pedro da Adeia, na Região dos Lagos divulgando e informando a população local o que é o Autismo,houve uma chamada em rede Nacional pela Rádio Globo.O Prefeito  Claudio Chumbinho e o secretário de educação,cultura e lazer Evaldo Bittencourt firmaram uma parceria com o Mundo Azul para futuros projetos de divulgação,informação e conscientização do Autismo em São Pedro da Aldeia.A unidade recebeu o Ação Global. A expectativa era de mais de 18 mil atendimentos, mas superou e muito. Segundo o balanço divulgado logo depois do evento, 26.530 pessoas estiveram presentes, totalizando 63.671 atendimentos.  No local Tendas extras foram montadas, já que a quantidade de parceiros no atendimento ao público aumentou, como explicou Edson Mário dos Santos, coordenador de logística do evento.

No local foram oferecidas atividades para as crianças, esporte e serviços de beleza. A atenção à saúde também foi uma das prioridades. O Ação Global,  realizado há quase vinte anos, é uma parceria entre Sesi e a Rede Globo.Foi a primeira vez que São Pedro da Aldeia recebeu a ação. A prefeitura também apoiou a iniciativa.

Além da emissão de carteiras de identidade e trabalho, e de escritura de imóveis, nas salas de aula os participantes tiveram atendimento da Defensoria Pública e do Tribunal de Justiça.

Para evitar tumulto, senhas foram distribuidas às 6h deste domingo (16) e o Ação Global aconteceu de 8h às 16h.

Os atores da TV Globo Nando Cunha, que interpretou o personagem “pescoço”, na novela Salve Jorge, e Anderson Di Rizzi, que vive Carlito, o apaixonado por Valdirene, em ‘Amor à Vida’, participaram da ação com muita troca de carinho com o público.

Mundo Azul Grupo de Pais

O Brasil Precisa Conhecer o Autismo.