Tsuname do conhecimentoi

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O Globo

Cérebro de idosos é mais lento apenas porque eles sabem mais, sugere estudo alemão.

O cérebro de parte dos idosos parece desacelerar com a idade.

E muitos cientistas acreditam que isto esteja relacionado com o declínio das funções cognitivas, ou seja, com a dificuldade progressiva de reter memórias recentes, adquirir novos conhecimentos, expressarse bem pela linguagem e fazer cálculos.

Mas um grupo de cientistas alemães divulgou um novo estudo que questiona esta teoria.

Na verdade, segundo a pesquisa, isto acontece simplesmente porque os mais velhos acumulam mais informações ao longo do tempo.

Da mesma forma que um disco rígido de um computador cheio demoraria mais para processar dados.

— O cérebro dos idosos não fica mais fraco. Pelo contrário, ele apenas sabe mais — defendeu o coordenador do estudo, Michael Ramscar, da Universidade de Tubinga, na Alemanha.

— Ele é mais lento na velhice, mas apenas porque armazenamos mais informações ao longo do tempo.

CRÍTICA A TESTES COGNITIVOS

Ramscar lançou um olhar crítico sobre os populares testes para medir funções cognitivas.

E, em vez de encontrar indícios progressivos de problemas em idosos, a pesquisa apontou que os testes é que são falhos, a maioria deles, datados do início do século XX.

No experimento, eles usaram uma tecnologia conhecida como modelo aditivo generalizado misto (ou GAMM), capaz de manipular grandes e complexas quantidades de dados.

Eles reavaliaram 134 estudos sobre envelhecimento no qual foram usados testes de habilidadescognitivas. Isso permitiu que os pesquisadores tivessem estimativas do número de palavras que um adulto pode aprender ao longo da vida e, além disso, conseguissem separar a capacidade de memória e o avanço do aprendizado.

Com isso, os cientistas “treinaram” modelos de computadores para acumular informações, da mesma forma que um ser humano acumularia novos conhecimentos.

Quando o banco de dados era menor, o desempenho do equipamento se assemelhava ao de um jovem adulto.

E ao contrário, quando o mesmo computador era exposto a mais informações, sua capacidade de processamento piorava. O computador ficava mais lento, não porque perdera suas funções, mas porque aumentara a quantidade de dados armazenados.

O estudo foi publicado no “Journal of Topics in Cognitive Science”.

— Imagine alguém que sabe o aniversário de duas pessoas e pode lembrálos.
Você diria que esta pessoa tem uma memória melhor do que aquela que sabe dois mil aniversários, mas consegue fazer correspondência do aniversário e da pessoa certa em nove de dez vezes? — enfatizou Ramscar.

Segundo esta lógica, computadores levam mais tempo para pesquisar em bancos de dados maiores, o que, segundo eles, ocorreria também com o cérebro idoso.

— Se eu quisesse que o computador parecesse com um adulto mais velho, eu tinha que manter todas as palavras que ele aprendeu na memória — explicou Peter Hendrix, outro pesquisador dauniversidade alemã.

Quando a equipe de cientistas treinou seus modelos de computadores para assimilar um enorme conjunto de dados linguísticos, eles notaram que os testes de vocabulários padronizados, geralmente usados para medir o avanço do aprendizado, subestimam massivamente o tamanho do vocabulário de adultos.

Segundo eles, alguns testes cognitivos, utilizados para medir a capacidade mental, podem, inadvertidamente, favorecer os mais jovens.

Por exemplo, um teste cognitivo mede a capacidade de pessoas lembrarem palavras não relacionadas, como “gravata” e “biscoito”. Estudos têm demonstrado que os jovens são melhores neste teste, e que, portanto, esta habilidade reduziria com a idade.

Entretanto, o novo artigo questiona este fato: — Isto demonstra que a compreensão da linguagem pelos idosos é muito maior — disse Harald Baayen, do grupo de pesquisa de Linguística Quantitativa de Alexander von Humboldt, onde o estudo foi realizado.

— Eles precisam fazer mais esforço para lembrar palavras sem relação porque, diferentemente dos jovens, eles têm muito mais vocabulário.

O estudo ainda é preliminar e se baseou em cérebros de pessoas saudáveis.

A perda das funções cognitivas pode ser um indicativo de demência, doença que acomete principalmente os idosos.

Além disso, as teorias sobre memória mais aceitas hoje sugerem que, em vez de acumular conhecimento ilimitadamente, o cérebro, com o intuito de proteger a sua capacidade de processamento, “esquece” de propósito.

Ou seja, o esquecimento faz parte do processo de aprendizagem. E lapsos de memória podem ocorrer pela sobrecarga do órgão.

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