Educação Inclusiva x Educação Especial – Existe espaço para AMBAS

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Educação Inclusiva x Educação Especial – Existe espaço para AMBAS

Em conversa com minha amiga Luciana Nassif, surgiu a ideia de escrever sobre este assunto pra lá de polêmico: educação inclusiva x educação especial. Muito se tem falado e amplamente se tem discutido sobre o assunto. Pois então, lá vou eu meter “minha colher” neste “angu de caroço”.

Sinceramente, não consigo compreender esta questão da forma como a grande maioria das pessoas vem fazendo, como se cada proposta e projeto pedagógico conflitassem entre si, de tal forma que somente um pudesse existir! Existe espaço para os dois modelos de educação! Porque, simplesmente, entendo que a existência da escola especial NÃO inviabiliza a inclusão escolar e vice-versa!

Se podemos ter a possibilidade de escolher entre as duas opções, por que iremos restringir nossos filhos, cerceando seus direitos e insistindo na “fórmula” equivocada que consiste em  colocar todos os autistas numa mesma “fôrma”??? É preciso, minhas amigas e meus amigos, pensar MUITO além da “caixinha”…

Quando uma criança é diagnosticada precocemente, a inclusão escolar (com raras exceções) é a indicação natural da grande maioria dos Especialistas em Autismo, pois existe a grande possibilidade de evolução e melhora do prognóstico da criança.

Entretanto, com o passar do tempo, a questão vai sofrendo sensíveis alterações. De acordo com o crescimento, o desenvolvimento e a adaptação da criança, a escola regular pode deixar de ser a MELHOR opção!

É importante ressaltar que assim como não existe um indivíduo igual ao outro, cada pessoa com autismo é ÚNICA e deve ser compreendida com suas próprias características e dificuldades, potencialidades e limitações. Assim sendo, cada aluno é um aluno, devendo ser cada caso analisado dentro de sua especificidade, de forma a priorizar, SEMPRE, o BEM ESTAR da pessoa com autismo.

Existe ainda um outro aspecto essencial que deve ser levado em consideração:  INCLUIR é muito mais do que aceitar a matrícula da criança na escola. Crianças com necessidades especiais NÃO são colocadas em escolas regulares apenas para passar suas tardes ou suas manhãs como, infelizmente, muitos donos de escola e coordenadores acreditam.

É sabido que a inclusão escolar efetiva e ideal ainda está muito longe de acontecer (obviamente, existem algumas escolas que fazem a Inclusão com o I maiúsculo!), seja pela resistência dos estabelecimentos de ensino em aceitar nossos filhos (embora esta recusa seja um ilícito passível de multa, previsto pela Lei 12.764), seja pelo fato de o corpo docente não apresentar especialização necessária para fazê-lo e por tantos outros motivos, sobre os quais já escrevi na coluna do dia 02/07/2013, intitulada “Inclusão Escolar NÃO é um favor! – o que as escolas precisam aprender sobre nossos filhos.” (se quiser ler mais sobre este post, clique aqui).

O fato é que, na grande maioria das vezes, o que observamos é a inclusão da exclusão: crianças jogadas em um canto da sala de aula, em uma turma lotada, com uma professora que, muito provavelmente, entende pouco ou quase nada sobre autismo.

Vale ressaltar que tenho observado, nos últimos anos, um número crescente de educadores que, por conta própria, resolveram investir em cursos de especialização, aperfeiçoamento e pós-graduação em Educação Inclusiva, embora esta especialização devesse estar contida no Conteúdo Programático das Faculdades de Pedagogia – este é um dos motivos pelos quais acredito que as faculdades de Pedagogia devem REFORMULAR seus currículos. A estes profissionais e HERÓIS da educação, que por respeito à profissão e AMOR a seus alunos, buscam o conhecimento, deixo o meu muito obrigada!

Resumindo: incluir um aluno, sem que este tenha suas reais necessidades atendidas, sem que  lhe sejam proporcionados os recursos necessários previstos por lei (sejam recursos físicos, sejam recursos humanos – por recursos humanos, entendam a figura da mediadora escolar, sejam conteúdos e avaliações adaptadas às suas especificidades) é apenas e tão simplesmente  “jogá-lo” em sala de aula.

Ainda em tempo, cabe aqui uma importante ressalva: isto NÃO quer dizer de forma alguma que eu não acredite na eficácia e no sucesso da Inclusão escolar. O que defendo é que muito ainda deve ser feito para que este processo se torne uma realidade para todos que optarem pela inclusão. E sou uma grande entusiasta de que devemos lutar por esta realidade!

Meu filho frequenta uma escola regular inclusiva, desde o diagnóstico. Que depoimento eu posso dar a respeito de nossa experiência pessoal?   A inclusão de meu filho vai “muito bem, obrigada!”, até o presente momento. E amanhã? E quanto ao futuro? Continuará este processo sendo bem sucedido? Espero que sim!

Mas, se isto não acontecer, levando em conta as necessidades e limitações de meu filho, posso optar por colocá-lo em uma escola especial, que possa atendê-lo em suas dificuldades de forma mais adequada do que a escola regular inclusiva.

Falando em escolas especiais, sabemos que existem escolas e escolas. Da mesma forma que temos escolas regulares que não cumprem seu papel inclusivo, também temos escolas especiais que realizam seu trabalho de forma precária e muito aquém das potencialidades das pessoas com necessidades especiais.

Sei de escolas especiais que são apenas uma espécie de depósito para nossas crianças e jovens com deficiência, porque suas propostas pedagógicas estão há muito ultrapassadas, porque seus profissionais não acreditam na capacidade de aprendizado de nossos filhos, subestimando sua capacidade cognitiva e até mesmo pela falta de recursos. Com todos estes “poréns”, estas escolas não contribuem para o desenvolvimento social, psicomotor e pedagógico de seus alunos.

No outro extremo da situação, tenho a alegria saber da existência de experiências de sucesso com jovens e crianças autistas em escolas especiais. Escolas que ACREDITAM no potencial da pessoa com autismo, respeitando sua individualidade e oferecendo estratégias para seu desenvolvimento.

Conforme podemos concluir, temos escolas inclusivas e escolas especiais que desempenham seu papel com maestria e louvor, da mesma forma que existem outras escolas inclusivas e outras escolas especiais que ainda precisam melhorar MUITO em todos os aspectos pelos quais podemos compreender o processo educativo.

O que pode ser bom para alguns, pode não ser tão eficaz para outros. E temos ainda o que eu acredito ser a questão mais importante de toda esta discussão: O PÁTRIO PODER! Entende-se por Pátrio Poder o poder decisório que os pais (pai e mãe) de uma criança ou jovem possuem no que concerne a todas as decisões referentes a seus filhos.

Trocando em “miúdos”: Cabe à família a palavra final e a decisão da escolha, seja esta qual for. Esta decisão deve ser tomada, preferencialmente, após ouvir as ponderações dos terapeutas da criança ou jovem. Cada mãe e cada pai conhece como ninguém as necessidades de seus filhos.

Nunca é demais enfatizar: a existência de uma não inviabiliza a existência da outra! Podem e devem coexistir pacificamente, sem que uma aniquile a outra, cumprindo o papel primordial a que foram designadas – ajudar as pessoas com Necessidades Especiais a se desenvolver, alcançando o melhor e maior grau de autonomia possível, bem como independência, felicidade e bem estar.

RESPEITAR a diversidade de opiniões e a pluralidade de ideias e saber conviver com cada uma delas é VITAL para a construção de uma sociedade democrática, justa e igualitária, seja para indivíduos com necessidades especiais ou para indivíduos neurotípicos.

Denise Aragão

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