Estampados em ecobags, mochilas e blusas, desenhos de Miguel Cavendish, de 12 anos, fazem sucesso e pagam seu tratamento

Estampados em ecobags, mochilas e blusas, desenhos de Miguel Cavendish, de 12 anos, fazem sucesso e pagam seu tratamento

 

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Miguel Cavendish, a mãe, e suas criações
Foto: Agência O Globo/Pedro Teixeira
Miguel Cavendish, a mãe, e suas criaçõesAgência O Globo/Pedro Teixeira

Miguel Cavendish tem 12 anos e um dom: é um exímio desenhista, capaz de reproduzir, à mão livre, com impressionante semelhança, aquilo que vê. O menino, que cursa o 5º ano, é tão bom no traço que seus desenhos passaram a estampar blusas, ecobags e mochilas, vendidas por sua mãe nas redes sociais. Por mês, as criações de Miguel rendem R$ 3 mil, o suficiente para custear seu tratamento. Miguel é alegre, comunicativo e talentoso, mas precisa de cuidados especiais. É autista.Desde cedo, sua mãe, Raquel Cavendish Porto, desconfiou que o filho era diferente dos outros bebês:

— Ele começou a andar aos 10 meses. A partir daí, percebi que se afastava das crianças. Pouco depois, notei que sua fala estava atrasada e que ele sempre desviava o olhar. Sabia que algo estava errado.

Aos 3 anos, Miguel iniciou seu tratamento com a psicóloga Roberta Marcello e uma equipe multidisciplinar. Nesta época, a família e os profissionais descobriram o talento do menino para o desenho.

— Miguel tem autismo em grau leve, mas sempre mostrou uma capacidade incrível para memorizar cenas e desenhá-las, com formas e precisão avançadas para sua idade — afirma Roberta.

No final de 2012, Raquel, arquiteta e fã número um da arte de Miguel, teve a ideia de estampar ecobags de lona com os desenhos que guardava do filho, para presentear seus colegas de trabalho. As bolsas fizeram tanto sucesso que ela decidiu apostar no negócio e, junto com o menino, criou o perfil Sou Autista Sou Capaz, no Facebook, para divulgar estas e outras peças. Desde fevereiro, vem vendendo em média cem unidades por mês, para todo o Brasil. Com o lucro, paga as aulas de capoeira e judô de Miguel no Instituto Priorit, um centro de tratamento para crianças com dificuldades de comportamento, aprendizagem e linguagem, na Barra. No local, Miguel também tem aulas para desenvolver habilidades sociais e faz fonoaudiologia, a fim de aprender a se comunicar melhor com o mundo. Há um ano, ingressou nas aulas de desenho e teatro, para estimular sua criatividade.

Necessidades do filho atendidas, Raquel planeja ajudar outros pequenos autistas. A arquiteta busca parcerias com empresas que a auxiliem na fabricação das peças para, com o dinheiro das vendas, custear o tratamento de crianças como Miguel.

Outro projeto é a publicação de um livro com os desenhos do menino, que nem faz ideia de sua fama:

— Ele entende que é o desenho dele. Só não sabe que faz tanto sucesso.

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