TRANSTORNOS DO ESPECTRO AUTISTA

Dr-Gustavo

Olá, amigos!!!

Inicio agora uma série de 6 semanas em que debaterei sobre o autismo infantil e os transtornos do espectro autista. Vamos conversar sobre a incidência do problema, suas características, causas, tratamento e a importante participação da família e da escola.

Para essa primeira semana, vamos falar um pouquinho de história. Os transtornos do espectro autista são caracterizados por prejuízos na interação social, atraso na aquisição da linguagem e comportamentos estereotipados e repetitivos. Foi brilhantemente descrito pelo médico, pesquisador e professor da Johns Hopkins University, o psiquiatra infantil austríaco Leo Kanner, em 1943.

Historicamente vale ressaltar também a importância de uma médica inglesa, psiquiatra da infância e adolescência, a Dra. Lorna Wing. Seus estudos estabeleceram a análise de três déficits principais (conhecidos por “Tríade de Wing”), existentes entre os portadores de autismo. Essas dificuldades estão localizadas nas áreas de imaginação, socialização e de comunicação.

As dificuldades na área da imaginação estão relacionadas ao conceito da Teoria da mente. Esse conceito se aplica ao fato de que todos nós somos capazes de se colocar na posição do outro, isto é, entendemos que outra pessoa é capaz de pensar diferente de você, capaz de ter crenças, desejos e pensamentos distintos. Desta forma, somos capazes de entender as emoções e o comportamento de outras pessoas.

Basicamente, a dificuldade de relacionamento e interação social é outro grande problema no autismo infantil. A impressão é que a criança está fechada dentro de seu mundo particular e não consegue interagir com outras pessoas ou outros objetos.

A grande maioria dos pacientes autistas não fala e aproximadamente 50% deles permanecerão mudos pelo resto de suas vidas. Entretanto, algumas crianças podem aprender a falar pequenas frases e serem capazes de seguir instruções simples. Muitas vezes essas crianças podem realizar uma inversão pronominal, se chamando por “ele” ou “ela”.

O transtorno apresenta uma incidência de 1% de crianças e adolescentes em idade escolar e ocorre em torno de quatro vezes mais em meninos do que em meninas.

Até pouco tempo atrás, o autismo era um problema comportamental identificado por volta dos três anos de idade, mas com o avanço dos conhecimentos sobre essa patologia é possível identificá-la nos primeiros meses de vida da criança.

Essa precocidade na identificação dos transtornos do espectro autista é fundamental para a realização de uma intervenção precoce, pois nos oferece uma grande “janela de oportunidade” para ajudar na reversão de muitos sintomas e isso é possível apenas se o paciente é tratado precocemente.

Pois esse será o tema da próxima semana: como identificar sinais de autismo em bebês e crianças pequenas?

Um grande abraço, até a próxima semana e SAÚDE MENTAL NA ESCOLA!!!

Dr. Gustavo Teixeira
Médico psiquiatra da infância e adolescência
Professor visitante do Depto. de Educação Especial – Bridgewater State University
Mestre em Educação – Framingham State Universit

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