Análise encontrou semelhanças entre os genes responsáveis pela esquizofrenia e os responsáveis pelo autismo

Com a ajuda de uma análise de computador, os cientistas descobriram duas redes de genes relacionadas à doença(iStockphoto)

Pesquisa publicada neste domingo na revista Nature Neuroscience identificou duas redes de genes ligadas à esquizofrenia, fornecendo pistas sobre como se dá a relação entre mutações e o aparecimento da doença. Estudos recentes foram capazes de descobrir mutações no DNA envolvidas com a doença, mas ainda não estão claros os processos por meio do qual essas alterações provocam o distúrbio.

ESQUIZOFRENIA

O distúrbio mental é caracterizado quando há perda de contato com a realidade, alucinações (audição de vozes), delírios, pensamentos desordenados, índice reduzido de emoções e alterações nos desempenhos sociais e de trabalho. A esquizofrenia afeta cerca de 1% da população mundial. O tratamento é feito com uso de remédios antipsicóticos, reabilitação e psicoterapia.

AUTISMO
Distúrbio que afeta a capacidade de comunicação e de estabelecer relações sociais. O autista comporta-se de maneira compulsiva e ritual. O distúrbio, que pode afetar o desenvolvimento normal da inteligência, atinge cinco em cada 10.000 crianças e é de duas a quatro vezes mais frequente no sexo masculino.

Os pesquisadores da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, usaram uma sofisticada análise computacional para estudar a relação entre centenas de mutações genéticas relacionadas à doença. A abordagem mostrou que a maior parte dos genes estão organizados em duas redes, que tomam parte em poucos, mas importantes processos corporais, como a comunicação dos neurônios e a modificação dos cromossomos.

O estudo também encontrou conexões entre esquizofrenia e autismo. “Se não soubéssemos que essas são duas doenças diferentes, e estudássemos suas mutações genéticas em uma só análise, nós encontraríamos redes muito parecidas”, diz Dennis Vitkup, pesquisador do Centro de Biologia Computacional e Bioinformática na Universidade de Columbia e um dos autores do estudo. “A análise mostra como as redes genéticas do autismo e da esquizofrenia estão entrelaçadas”.

Ainda que as descobertas demorem a ser revertidas em tratamentos, o estudo fornece pistas das causas moleculares por trás da esquizofrenia – e sugere que essas causas podem ser compartilhadas com o autismo e outras desordens psiquiátricas.

Mutações – Os pesquisadores responsáveis pelo estudo desenvolveram um método computacional chamado de NETBAG+ para identificar as redes de genes com mais probabilidade de serem responsáveis por determinada característica corporal. Nessa pesquisa, eles usaram o programa para analisar os dados sobre centenas de mutações genéticas relacionadas à esquizofrenia coletados em estudos anteriores.

O programa localizou duas redes genéticas principais. A primeira está envolvida nas sinapses, na orientação dos axônios – a parte dos neurônios responsável pela transmissão de sinais para outras células –  e a migração celular. A segunda rede está envolvida na organização dos cromossomos. Parte de ambas as redes estão muito ativas durante o desenvolvimento pré-natal, sugerindo que as mudanças no cérebro que causam a esquizofrenia podem acontecer muito cedo.

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A primeira das redes de genes descoberta pelos pesquisadores é muito parecida com outra rede identificada no ano passado, responsável pelo autismo. Segundo os cientistas, isso pode ser explicado pelo fato de que mutações nos mesmos genes podem desencadear doenças diferentes. “Gosto de fazer uma analogia com os freios de carros. Diferentes falhas mecânicas nos mecanismos do freio pode ter consequências muito distintas em sua função”, diz Vitkup.

O pesquisador prevê que ainda devem ser descobertos muitos genes envolvidos com o autismo e a esquizofrenia – provavelmente mais de 1.000 para cada doença. “Até pouco tempo, os cientistas buscavam por poucos genes responsáveis por essas condições, então a ideia de que existam centenas de genes envolvidos é uma grande mudança nesse pensamento”, diz o pesquisador.

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