Herói da vida real: Guerreiro contra a dengue

Herói da vida real: Guerreiro contra a dengue

 POR FERNANDA ALVES

Rio –  Ele transformou a dor da morte do filho em luta pela redução de vítimas da dengue no Rio de Janeiro. Não há hora livre, fim de semana e feriado que o engenheiro Mário Roig, 39 anos, não dedique à Associação de Vítimas da Dengue (Avide). Ele a criou para tentar evitar que outras famílias passem pelo seu sofrimento. Em 2008, Mário perdeu o filho de 6 anos, Rodrigo, por demora no diagnóstico do tipo hemorrágico da doença.

Marcos Roig virou um ativista pela redução das vítimas da dengue | Foto: Fernando Souza / Agência O Dia

Marcos Roig virou um ativista pela redução das vítimas da dengue | Foto: Fernando Souza / Agência O Dia

Desde julho de 2009, quando fundou a Avide, Marcos virou um caçador de focos do mosquito Aedes aegypti, o transmissor da dengue. Ele bate em portas alertando os cariocas sobre o perigo da doença e a importância de não acumular água para o inseto depositar seus ovos. Ele também vai a escolas, onde dá palestra e incentiva diretores a abordar o tema em sala de aula. Só este ano, esse mal matou 37 pessoas no estado do Rio.

O pequeno Rodrigo Yamawaki Aguilar Roig adoeceu em 17 de fevereiro de 2008. Foram cinco dias indo a clínicas particulares até descobrir a dengue hemorrágica. Horas após o diagnóstico, o menino morreu. “Passei um mês sem sair de casa, sem trabalhar”, conta o engenheiro, pai de duas meninas de 9 e 14 anos. Ele viveu a angústia de saber que a morte poderia ter sido evitada: “Quando você tem um filho com uma doença rara, sem cura, você sofre, mas aceita. Quando você perde um filho com uma de tratamento simples começa a pensar que falhou como pai, que foi incompetente”.

SEM FINANCIAMENTO

Marcos presta solidariedade a famílias que perdem parentes para a dengue. “Oferecemos ajuda psicológica e temos um departamento jurídico”, conta ele, que só pede em troca engajamento na luta contra o Aedes. O engenheiro se inspirou no exemplo de Cleyde Prado Maia Ribeiro e Carlos Santiago Ribeiro. Eles criaram a ONG ‘Gabriela sou da paz’, após a morte da filha, Gabriela Prado Maia Ribeiro, de 14 anos, por uma bala perdida na estação de metrô São Francisco Xavier, em março de 2003. A Avide não tem fonte fixa de financiamento: “Tiro do meu bolso. Algumas pessoas ajudam, mas não conseguimos juntar grandes quantias”.

A luta de Marcos ecoou no poder público. O nome de Rodrigo hoje batiza a clínica da família da Estrada do Itararé, no Complexo do Alemão. Lá, dia 31, ele fará festa para marcar o aniversário do filho, com distribuição de presentes a crianças carentes e show de malabaristas e palhaços.

Incansável, ele vai lançar campanha sobre a importância de se abrir as portas para os agentes de saúde. “Temos que mostrar que mesmo o governo tendo grande parte de culpa na situação grave da doença, a responsabilidade pelo combate é de todos. Só paro minha luta quando o Rio tiver parâmetros aceitos pela Organização Mundial de Saúde. Quando você começa a ajudar o próximo, nunca mais consegue parar”, ensina.

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