Jovens com síndrome de Down vão representar Brasil na ONU


Edição do dia 18/03/2012 – Atualizado em 18/03/2012 21h32

Jovens com síndrome de Down vão representar Brasil na ONU
Projeto que facilita a comunicação com pessoas com deficiência intelectual leva jovens à conferência organizada pela ONU para celebrar a criação do Dia Internacional da Síndrome de Down.
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Conheça um grupo super animado de jovens que trabalham, estudam, namoram.

O que há de particular nessa história? Eles são portadores da síndrome de Down.

Essa turma está de partida para Nova York, para lançar um livro na ONU.

“A gente tem que falar”, afirma o auxiliar administrativo Thiago Rodrigues.

“A gente mesmo falar por si. E não outros falarem por você”, acrescenta a auxiliar administrativa Carolina de Vecchio.

O discurso está na ponta da língua. “As pessoas não deviam falar pela gente. Deviam dar a chance de a gente falar, de optar, de escolher, de querer, de correr atrás. É isso que a gente quer mudar”, defende a apresentadora de TV Ana Beatriz Paiva.

Para mudar, um grupo de jovens com Síndrome de Down resolveu escrever um livro. O grupo, que criou o manual de acessibilidade para pessoas com deficiência intelectual, se reúne em São Paulo. Eles contam como surgiu a ideia.

“Essa ideia surgiu do nosso grupo, que quis mostrar para a sociedade que nós também temos voz, queremos conquistar coisas”, explica Ana Beatriz.

No manual, eles explicam como facilitar a comunicação com pessoas com deficiência intelectual.

“Nós precisamos de acessibilidade, de pouca escrita, pouca imagem, falar pouco, devagar para a gente entender. Acessibilidade é isso”, resume Thiago Rodrigues.

“O nosso ritmo é diferente do ritmo dos outros. E é muito difícil para os outros perceberem que o nosso ritmo é diferente”, diz Ana Beatriz.

Agora o projeto vai levá-los à sede da Organização das Nações Unidas, em Nova York.

“É a realização de um trabalho que a gente fez junto, com empolgação, com alegria, com vontade de passar para as pessoas a informação da acessibilidade, mostrar para as pessoas que nós existimos no mundo. Nós vamos representar o Brasil em Nova York! Na ONU!”, exclama Ana Beatriz.

Bia vai ser a representante do grupo em uma conferência organizada pela ONU para celebrar a criação do Dia Internacional da Síndrome de Down, na próxima quarta-feira (21). A data vem sendo lembrada por 60 países, mas agora entra para o calendário oficial dos 193 membros da organização.

“Não existe limite dessas pessoas. Eles que vão colocar o limite deles, não a gente”, detalha Glória Moreira Salles, presidente da associação Carpe Diem.

Thiago trabalha há sete meses em uma grande empresa do setor de agronegócios.

“Entregar correspondência, separar notas de produtos, ajudar a parte de financeiro no computador: essa é a minha rotina. Esse é meu trabalho”, conta Thiago.

Para os colegas e os chefes, Thiago faz muito mais do que isso.

“Melhorou o ambiente de trabalho, melhorou a convivência das pessoas, melhorou a forma de as pessoas encararem a vida. Você sente que ele faz as coisas com prazer”, diz o diretor jurídico Cristiano Soares Rodrigues.

A artesã Katrin Ambrosini também capricha no serviço. Ela trabalha em uma cooperativa em Florianópolis que reúne 40 pessoas com deficiência intelectual.

“Eu gosto de trabalhar aqui”, elogia a artesã.

O estudante Gabriel Nogueira, que mora no Rio Grande do Sul, ainda está se adaptando à nova rotina.

“Eu me chamo Gabriel Almeida Nogueira, tenho 24 anos, moro em Pelotas. Passei para a universidade daqui de Pelotas. De teatro. E agora eu vou mostrar um pouco da minha vida”, anuncia o estudante. “O meu pai é artista plástico. E agora vou mostrar meu caderno da faculdade, que eu peguei ontem. É a história do teatro”, continua.

Gabriel divide o campus com a irmã. “É a Isabela. Ela está no curso de jornalismo. Entrou na mesma faculdade que eu”, diz.

Com a câmera na mão, faz questão de apresentar a namorada e de mostrar os novos colegas de faculdade.

“Meu maior sonho? Um sonho eu já realizei entrando na faculdade. Agora meu maior sonho é ter uma carreira profissional, criar uma família também, pagar as contas”, revela Gabriel.

O sonho de Carol e dos jovens que vão à ONU está bem perto de se realizar. As malas estão quase prontas.

“Eu estou levando um casaco e outra coisa para enrolar no pescoço, se precisar”, diz.

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